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sábado, 13 de novembro de 2010


Tenho medo de perder a capacidade de olhar as coisas simples que tanto admiro. Tenho medo de me trancar entre as minhas dores e me negar a ver tudo de bom que ainda tenho. Tenho medo de por isso ficar sozinha. Tenho medo de me tornar amarga, de me tornar minha pior inimiga. Tenho medo de perder a razão, tenho medo de perder, tenho medo de não suportar... E veja só... eu que sempre tive medo de sentir medo...

segunda-feira, 25 de outubro de 2010


"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas que já têm a forma de nossos corpos e esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares.

É o tempo da travessia. E se não ousarmos fazê-la teremos ficado para sempre à margem de nós mesmos."


Fernando Pessoa


"Vou te dizer o que eu nunca te disse antes, talvez seja isso o que está faltando: ter dito. Se eu não disse, não foi por avareza de dizer, nem por minha mudez de barata que tem mais olhos que boca. Se eu não disse é porque não sabia que sabia — mas agora sei. Vou-te dizer que eu te amo. Sei que te disse isso antes, e que também era verdade quando te disse, mas é que só agora estou realmente dizendo."

Clarice Lispector

domingo, 22 de agosto de 2010

The king

Ele não sabe mais nada sobre mim.
Não sabe que o aperto no meu peito diminuiu, que meu cabelo cresceu,
que os meus olhos estão menos melancólicos, mas que tenho estado quieta, calada, concentrada numa vida prática ,
e sem aquela necessidade toda de ser amada.
Ele não sabe quantos livros puder ler em algumas semanas.
Não sabe quais são meus novos assuntos nem os filmes favoritos.
Ele não sabe que a cada dia eu penso menos nele,
mas que conservo alguma curiosidade em saber se o seu coração está mais tranqüilo, se seu cabelo mudou,
se o seu olhar continua inquieto. Ele nem imagina quanta coisa pude planejar durante esses dias ,
e como me isolei pra tentar organizar todos os meus projetos.
Que tenho sentido mais sono e ainda assim,
dormido pouco.
Que tenho escrito mais no meu caderno de sonhos.
Que aqui faz tanto frio, ele não sabe por mim.
Ele não sabe que eu nunca mais me atentei pra saudade. Que simplesmente deixei de pensar em tudo que me parecia instável.
Que aprendi a não sobrecarregar meu coração, este órgão tão nobre.
Ele não sabe que eu entendi que se eu resolver a minha dor,
ainda assim, poderei criar através da dor alheia sem precisar sofrer junto pra conceber um poema de cura.
Hoje foi um dia em que percebi quanta coisa em mim mudou e ele não sabe sobre nada disso.
Ele não sabe que tenho estado tão só sem a devastadora sensação de me sentir sozinha.
Ele não sabe que desde que não compartilhamos mais nada sobre nós, eu tive que me tornar minha melhor companhia:
ele nem imagina que foi ele quem me ensinou esta alegria.

......

Eu te agradeço por esse afastamento lento e gradual e pela viagem interrompida por seus perpétuos atrasos causados pelo medo de tirar os pés do chão.
Agora, a cada dia eu preciso de uma roupa nova desde que minhas malas
foram extraviadas para sempre com todo o nosso excesso de bagagem.
Eu te agradeço pela honestidade da sua omissão tão previsível que sempre confundi com meus presságios.
Essa ida sem despedida que você covardeou: eu finjo que não sei, você finge que não foi.
E a gente segue inventando que ainda se interessa pelo que começamos a construir juntos,
num outro contexto, pra realçar nossos vínculos.
Eu te agradeço a descoberta de que se não seguimos juntos nessas coisas do amor,
seja porque talvez
eu, veterana
enquanto
você ama-dor.


[Marla de Queiroz]

domingo, 25 de julho de 2010

Lembranças


Estranha sensação de ver e não sentir, ou melhor de sentir que tudo passou..., às vezes me pego pensando se eu tentasse voltar a falar, voltar a conversar..., mas sinceramente logo desconsidero a idéia não por medo de reacender algo em mim..., mas simplesmente pelo fato de que não vejo nada que possa me fazer crescer .

É como uma doce lembrança dos tempos de criança, onde tudo que acontecia parecia verdadeiramente sério, e naquela realidade realmente era, mas hoje vejo que as coisas eram muito mais simples do que pareciam.

Sinceramente tenho uma vontade indiscutivel dentro de mim, uma tarde..., é não queria lembranças renascendo em minha vida, o lugar das lembranças são no passado, mas queria sim uma tarde de conversa, seria como olhar as páginas de um velho álbum, e lembrar das coisas mais engraçadas e trágicas de uma época em que o mundo era simples e eu não sabia lidar com as coisas.

sábado, 24 de julho de 2010


Durante muito tempo na minha vida vi as coisas passarem pela janela, tive muito medo de agarrar as decisões da minha vida, tinha muito medo de decidir, tinha muito medo de mudar, muito medo de viver coisas diferentes..., não era que eu não quisesse, eu simplesmente não tinha coragem, não tinha atitude..., eu era apática diante da minha vida.

Perdi a conta do número de vezes que quis uma coisa, e não tive coragem de simplesmente dizer sim..., até que um dia um dos meus “nãos” medrosos..., virou o ”sim” mais corajoso que alguém já me deu e eu vivi o ano mais feliz da minha vida, aprendi que na vida quem tem medo de voar não vive, se conforma com o que tem achando que aquilo é o máximo que se pode ter, se agarra a tudo a sua volta com medo de que tudo possa ser ainda pior...

Não, eu não penso “que covardia!”... Já fui assim durante alguns anos, mas hoje eu tento ensinar passarinhos a voar como um dia me ensinaram. Hoje eu tento dar a mão e falar “deixa de bobagem a vida pode ser muito mais..., permita-se!”, e tento principalmente ver o sorriso que um dia me ensinaram a estampar no rosto, iluminado em outros rostos...

“Se eu pudesse ao menos te contar o que se enxerga lá do alto com o céu aberto limpo e claro, ou com os olhos fechados, se eu pudesse ao menos te levar comigo pro alto da montanha (...)”

sábado, 10 de julho de 2010

Avenca


A primeira vez que ouvi foi há uns 3 anos, me falavam sobre a formação do protalo, sinceramente nada muito interessante, nunca quis saber muito de botânica... num fazia meu estilo.

Daí conheci melhor..., vi que tinha lá o seu encanto, avenca trata-se de uma planta muito delicada, com folhas pequenas, sem flores ou frutos...., trata-se de uma planta que cresce quieta, pequena, frágil, e que a maioria das pessoas não da importância pois a maior parte delas buscam algo frondoso como uma sequóia ou bonito aos olhos como um ipê, e por isso nem percebem aquela plantinha que fica geralmente nos cantos, aparentemente sempre verde.

Eu sempre gostei de detalhes daí o motivo, creio eu, de eu ter prestado atenção justamente na plantinha, achei logo de cara as folhinhas bonitinhas e misteriosas, aparentemente muito regulares, todas iguais... com o tempo fui me desligando de qualquer outra planta maior e mais bonita, e fixei de vez os olhos nessa avenca. Sem perceber ela foi crescendo como uma sequóia e ganhou o colorido do ipê, deu frutos,e vê-la enorme me fez melhor, e quando vi já não existia mais qualquer espaço que não fosse pra aquela delicada avenca.

Dada tamanha importância a avenca cresce, fortalece... mas o inverno chega e ela morre, murcha... e agora não vejo vida nela apenas sinto meu coração apertado a espera do verão pra ver se ela morreu, ou só se guardou para um estação mais bela e mais tranqüila...

Sinceramente minha avenca, vai ser sempre minha, se um dia sobrar só o terreno vazio, esse vazio vai sempre me lembrar as folhinhas mais delicadas que eu já tive a honra, mas não a competência de cuidar.

terça-feira, 20 de abril de 2010


Há condições perfeitas, lugares perfeitos, situaçãoes sonhadas... tudo muito azul, mas o que eu posso fazer se eu sou cinza?
Há coisas começadas, e irão ser terminadas, enquanto outras simplesmente nasceram para ser a metade e ao mesmo tempo serem inteiras.
Há gente que sorri demais e não se dá ao luxo de silenciar e chorar, e ver...
Há gente que não sabe o que é certo e o que é errado e tem algumas que simplesmente não acreditam nisso, e se permitem viver...

Há lugares que guardam sentimento, energia...
Há pessoas que compram o seu prazer, o meu vem de detalhes que me valem uma vida inteira...